*acende cigarro*
Por anos e anos, vaguei pelo mundo. Desde os bares imundos do centro, até os mais badalados de Santorini. Conversei desde traficantes e mendigos, até executivos e afins. Desde o mais baixo, até o mais elevado.
E quanto mais velho fico, mais percebo não pertencer a esse lugar/tempo/mundo.
Olho ao meu redor. O que vejo? Vejo a degradação de tudo. Vejo a mácula que o ser humano se torna, e isso me gera asco.
Óbvio que aqui e ali volta e meia surge alguém ou algo que não. Mas são a excessão que comprova a regra.
Ninguém mais sabe o significado de honra, muito menos sua aplicação no dia-a-dia.
Fé deixou de ser uma comunhão com seu interior, algo entre você e os deuses a que serve. Torna-se húbris, quando não fanatismo.
Cultura deixa de ser a busca pela elevação intelectual, mas sim o que passa/passou na tevê.
Inteligência não é capacidade, mas percepção de quando se deve puxar. Seja o saco ou o tapete de alguém.
Amor é sexo, status e dependência. Esqueça a entrega, cumplicidade e igualdade.
O ciclo de vida é cada vez mais curto. Seja amizades ou o novo celular. Tudo e todos são descartaveis.
Pouquíssimas coisas conseguem se manter puras. Como animais. Mas a podridão geral os engloba, seja em maus-tratos ou em supostas "experiênciais". Sejam religiosas, médicas, etc.
Crianças cada vez mais perdem seu conceito de inocência. Não que algumas não o sejam, mas a mídia os massacra, e se vê meninas de 7 anos com salto e maquiagem. Garotos de 10 discutindo quem eles já pegaram.
Não me entendam mal. Odeio o saudosismo. Detesto cada vez mais o "antigamente era melhor". Não. Não o era, apenas não percebíamos.
Olho ao redor. E o asco vence.
De que adianta fazer algo? Falar algo? Tentar agir?
Não importa quem você ajudou, ou como o fez, será esquecido. Não importa os vínculos que você forjou, serão destruídos.
Não importa sua dedicação, será descartado. Óbvio que digo essas coisas por ser o que me ocorre. Nada dá certo comigo. E não digo por auto-piedade. São muitos relacionamentos que só me feriram. São muitas amizades que desapareceram. São muitos empregos de onde fui derrubado. São muitas as merdas que ocorreram em minha vida.
E não me venham com esperanças de melhoras, de fé e afins. Perdoem-me se sou um factualista: só vejo os fatos.Melhoras? Com os dias passando mais rápido e seu maldito fedor humano invadindo minhas narinas? Sua maldita cultura decadente, repetitiva e vulgar? Desculpe se não demonstro alegria. Fé? Com suas patéticas demonstrações? Com sua entrega à outro, sem jamais retomar o poder interior que os deuses/Deus te criou com? Desculpe se vejo isso como infantilidade. Repetir palavras jamais vão me convencer de que alguém as entende realmente. E sim, é óbvio que estou amargurado. A cada dia que passa me torno mais. Sim, tenho bons momentos. Sim, deixei minha auto-destruição no passado. Sim, tenho esperanças.
Mas vamos aos fatos: não me agrada conviver com a maior parte do que vocês, humanos, se orgulham tanto. Não suporto a mediocridade. Jamais a suportei. E vocês a amam. A cada dia mais, vejo meu joie- de-vivre desaparecer mais. A cada dia desejo chafurdar em álcool e sexo casual, para esquecer do que me rodeia. A cada dia desejo dançar até perder os sentidos, e acordar em um mundo onde tudo foi destruído pelo fogo e banhado em sal, para que nada mais cresça.A cada dia outro pequeno pedaço do meu mundo é destruído. Sim, a cada dia desejo que tudo isso seja esquecido, apagado e deletado por uma mudança radical. Seja amor, trabalho ou o que for. E a cada dia vejo isso não ocorrer. Os fatos são simples: não pertenço aqui. E a única coisa que me faz ter um mínimo de felicidade é saber que por mais miserável que esteja minha vida, não. Jamais me curvei em servidão perante um de seus deuses.
E não importa o quão pior se torne minha vida. Não pretendo vir a fazê-lo.
*apaga o cigarro*
See ya in the desert skies
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