terça-feira, 27 de setembro de 2011

:: Segunda-feira, Setembro 22, 2003 ::
*acende charuto* Sim, não estou bem ainda. Na verdade tenho piorado muito. O caos está enorme em minha mente. Mas dane-se isso. Meu neto nasceu. O filho de minha "filha" nasceu. Ele está lá. Uma criança. Uma semana de vida. Os horrores da vida ainda não tocaram seu corpo. Mas dane-se isso também. Estar vivo é uma dádiva. É. Posso não parecer as vezes, mas sim, sou um apaixonado por estar vivo. Amo viver. Mesmo com todas as tristezas, horrores, dúvidas, etc. Amo viver. Por quê? Perguntam, não? Para esses momentos. Para saber que posso segurar o meu neto nos braços. Pra saber que sim, eu faço a diferença. Sim, eu deixo uma marca no mundo. Sim, pessoas se importam comigo. Sim, eu consigo. Não sou um lixo. Sou uma pessoa. Não sei se existo. As vezes parece impossível aceitar minha existência. Mas isso não me importa no momento. apenas sei que importo. Cuidando de mim, acabo vendo que existem pessoas, muitas pessoas. Muitos amigos, muitas pessoas que me amam. Que se importam. Que estão lá quando preciso. Penso nos olhos puros de meu neto. Olhos que nunca mais terei. Talvez nunca tive. Não sei. Desde cedo meus olhos olham para longe. As fotos de quando era jovem mostram muito bem isso. Mas aquela pureza me alivia.
Apesar de não conseguir mais chorar, nem pelos dois motivos únicos que valem a pena serem chorados, amor e ódio, consigo sorrir. Sorrir. Para que meu neto conheça o avô. Como minha filha conheceu. O cara que sempre sorri. Que cuida e se importa com as pessoas, que está sempre lá quando precisam. Sei que me esforçarei ao máximo. O cansaço continua, assim como toda a dor, tudo. Mas agora uma luz, muito diferente brilhou. Sou necessário. Como dizem, a família me salvou. Os amigos, todos. Fazem diferença.
Dane-se se vou ser feliz. Dane-se se meu coração está quebrado, e talvez morrendo. Tudo isso importa. Mas, estar ali, para eles, é mais importante. Não mais do que certa pessoa, mas mesmo assim. Preciso estar lá. Estar ali para eles. O primeiro neto que vou ver crescendo. Meus filhos. Meus Irmãos. Eu preciso. Assim como eles precisam. Mas ainda tenho que me resolver. Preciso me reerguer. O tempo irá resolver tudo. Não sei o que o futuro me aguarda, mas sei que estarei aqui para vê-lo.
Apesar de toda a angústia, de todo o cansaço, de tudo que tem ocorrido na minha vida, sim. Eu voltei a amar. Amar a vida. O meu joy-de-vivre que estava despedaçado, morrendo, radiou, brilhou. Sim. Preciso resolver tudo. Resolver minhas coisas comigo mesmo. Com as pessoas. Com certas pessoas. Pois apesar de tudo, percebi algo. Que não importa a felicidade deles, ao verem a minha tristeza, não mais são felizes. Portanto, minha felicidade é imprescindível para a deles. Assim como a deles é para mim.
Amo-os. Amo todas as pessoas de minha família. E por eles, sou capaz de fazer qualquer coisa. Eles são minha maior força. É por eles que sempre levanto. Não por mim. Posso demorar dessa vez, mas sei que irei.
Porque é preciso.

And I miss you...
*continua fumando o charuto, e comemorando. Apesar de só. Sorri e sai andando, feliz ao mesmo tempo em que cansado, desiludido, desesperançado. Triste. Assobiando o tema de missão impossível, vai indo... tentando...*
See ya in the desert skies

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