*acende cigarro e arruma os óculos escuros* Pois bem... estou vivo. Ao menos eu estou. Ainda continuo caminhando por esse mundo. Por que essa ironia? Por que esse amargor? Acreditem meus caros há um motivo para isso. Uma vida. Um mísera e singela vida.
Pergunto-lhes: há diferença? Uma vida é uma vida, certo? Não importa se é animal, vegetal, ou sei lá. Apartir do momento em que há consciência da existência há vida, certo? Pois é... pena que nem todos vejam dessa maneira. Pois foi isso que aconteceu. Um gato. Um mero gato. Atropelado. Duas pernas quebradas, as traseiras. Um hemorragia interna que o fazia cuspir sangue. Mencionei que era uma fêmea? Prenha de sabe-se lá quantos filhotes? Pois bem, o era. ERA. Como se não bastasse ela ter sido atropelada, o dono do carro ainda teve a "compaixão" de parar... para ajudar o animal? Não. Afinal, é só um animal, não? Para pegá-la e jogá-la dentro de uma casa. Afinal, ele não quis deixar sua sujeira ali, no meio da rua. Era só um animal, não?
Pois bem. Nesse ponto que encontramos a pobre gata. Jogada dentro de uma casa, miando em agonia por si e seus filhos. Apenas um animal... que fez com que ligassemos para a Zoonose. Mas é claro que a excelentíssima Marta Suplicy, acha desperdício pagar por veterinários de plantão... assim como cremar animais mortos. (Claro, se um cão morrer na frente de sua casa, você não pode chamar a zoonoses para retirá-lo. Se seu gato estiver muito doente e não tiver dinheiro para ir ao veterinário, terá que esperar até o dia seguinte, ou então até segunda, pois não atendem mais nos finais de semana. Ah! E antes que eu me esqueça... se vir um animal na rua, não chame a carrocinha... pois nossa amabilíssima prefeita fez o favor de doar todo e qualquer animal pego por ela para experiências.) Porém antes de sabermos disso, em nossa ânsia por salvar a vida da gata, após tentarmos falar com a zoonoses, acabamos por chamar uma ambulância, que nos deixou em frente a uma veterinária que a prefeitura dizpagar para ser 24 horas... Diz... ficamos ali, plantados, esperando alguém aparecer. Até os últimos suspiros da gata e de seus filhotes mortos.
E então? Qual o problema, não? Eram apenas animais... se eu ouvir isso de alguém um dia, eu garanto que terá seu maxilar enfiado adentro de sua garganta por um belo soco...
Mas o mais triste, é que apesar das lágrimas que meu irmão desfiou perante o cadáver, infelizmente e para meu grande amargor, não consegui verter nem sequer uma lágrima. Talvez por estar muito calejado e ter visto muitas mortes. Talvez por ser uma pessoa que nasceu para a guerra e destruição, e raramente consegue salvar vidas ou criar beleza. Talvez por meu coração estar partido e caminhando em direção a se tornar uma pedra fria. Talvez por os deuses não terem podido fazer nada para me salvar... Talvez porque eu não tenho mais salvação. Nunca tive... *apaga cigarro* Sabe, há votos que fiz... entre eles existem dois que se encaixam no caso... "Quando alguém morre perante você, os sonhos, desejos daquela pessoa, passam a fazer parte de si. Deve lutar e perseverar perante a adversidade para realizá-los." e "Vida e morte não são nada. O que importa são os sonhos e a força de vontade.". *acende cigarro* Portanto meus caros... importem-se. Tentem. Pois apesar de tudo, há a única coisa que me traz paz: eu tentei. Fiz o possível, o impossível, e o melhor que pude. Os deuses viram. E quando morrer, sei que tenho como meu direito lhes desafiar pelas injustiças que vi, fiz e sofri. E acreditem, eu irei...*arruma os óculos, levanta a gola contra o vento frio, dá um longo trago e vai embora... com apenas o sibilar do vento como música.*
See ya in the desert skies
Reminiscências de um andarilho em sua passagem pelo mundo mortal e humano. As histórias de suas desilusões, seus devaneios perdidos, sonhos e pesadelos, horror, loucura, luxúria, cinismo, sarcasmo, entre outros defeitos. Em si, um vislumbre da escuridão onde a luz brilha em esplendor.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
:: Terça-feira, Novembro 04, 2003 ::
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Fume um cigarro, tome um gole de cerveja e argumente...