*acende cigarro, balança a cabeça com desesperança* Certo, certo... abandonei isso aqui por um mês. Por que? Não sei. Não estou conseguindo escrever muito. Minha cabeça anda à umas 500 rpm. O costumeiro mais o choque de reencontrar boa parte de minhas boas amizades do colegial no Orkut. Isso tudo mais o eventual horror de ter um diploma pendurado em um canto do quarto. Mas apesar de tudo, uma eventual e estranha (para os que me conhecem bem, sabem o horror que isso representa) apatia. Para os desinformados, minha apatia é literalmente a calma antes da tempestade. Se você dirigir a palavra a mim de uma forma que eu não tenha gostado, é capaz que te arremesse pela janela e pule com o pé no seu pescoço. Sim. Pior que mulher de TPM. Mas realmente não estou muito afim de liberar minha raiva aqui, apenas o cinismo ácido para que ele não corroa meu cérebro. *playing Pulp - Monday morning, enquanto fuma e come ursinhos de gelatina, arrancando suas cabeças calmamente*
Sabe, pessoas te cobram. A vida toda você é cobrado. No amor, heh, mais do que em qualquer outra coisa, e é um hipócrita aquele que diz que não. Você nasce, cresce um pouco. E então começa. Cobram um bom desempenho, boas notas, bom comportamento, um bom emprego, uma boa família, uma boa aposentadoria, uma boa morte. Obviamente, por consequência, você começa a se sentir no direito de cobrar outras pessoas também. E você cobra exatamente aquilo que cobram de você. E por fim, todos acabam fazendo aquilo que os fere às pessoas ao seu redor. E cria-se um circulo de ódio. E que aumenta progressivamente em todas as direções. Ah, mas obviamente isso não é tão ruim. Afinal, estamos falando apenas de "realizações de vida". É. Claro. Isso é algo muito saudável, não? É desse preceito que surge a hipocrisia. Pois sabemos que tais cobranças nos ferem, mas o que fere ainda mais, é não corresponder a essas cobranças. E portanto, inventamos, fingimos. Sorrimos de maneira amarelada um para os outros, fingindo que tudo anda bem. E isso não é tão ruim, não?
Quando as coisas entram no plano emocional, (você deve estar se perguntando: "mas já não estavam?" e te respondo " é claro que não. Eram sentimentos reflexos. Não emoções.") é que fica ainda pior. Afinal, como sempre, tudo começa na família. Inicialmente seus pais te tratam como se você fosse capaz de tudo. Daí quando cai no mundo, e não o é; pois ninguém é plenamente capaz em tudo que a vida pode oferecer, matemática principalmente; eles se julgam no direito de cobrar um desmpenho melhor. Mesmo que ele seja quase incapaz de existir. Mas eles te cobram. E te cobram emocionalmente. Então você cresce um pouco mais. E vê que sus pais não são nem de longe os paladinos de conduta moral impecável. Como sempre, vê que seus pais tem pés-de-barro. E perde muito do respeito que tinha por eles. Respeito que não perderia se eles desde o começo dissesem que não eram perfeitos. E resolve que as escolhas que eles te fizeram, não eram as corretas. Descobre as coisas que eles lhe esconderam. E percebe que gosta de algumas delas. E eles não entendem. E mais uma vez, te cobram com base na emoção, no respeito. Ou seja, se rebaixam ainda mais fazendo pressão psicológica/emocional. Então você conhece alguém que julga especial. E esconde seus defeitos dela. Defeitos que podem horrorizá-la. E ela faz o mesmo. E se apaixonam. Descobrem que se amam. E resolve mostrar seus defeitos. E não entende os dela, e vice-versa. Ou você "supera" e continua, ou rompe e sai reclamando. Se romper, vai repetir o círculo até achar alguém cujos defeitos não te incomodem tanto. Se "supera" e continua, vai crescer mais. Vai se podar de diversos sonhos. Vai desistir de muita coisa. E vai ter sua casa, sua "estabilidade". E com o tempo vai ter filhos. E por mais que tenha dito que seria diferente com eles, acaba fazendo o mesmo que seus pais fizeram. Apenas de forma diferente. E o círculo do ódio seguirá, cada vez maior... ops. Isso é impossível. Afinal, já estamos nele desde sempre. Ninguém escapa de suas garras.
E nesse exato momento, o momento em que seus olhos estarão passando por essas linhas, você vai pensar "Ei! Eu não sou assim!" Tem certeza? Olhe ao seu redor, você não o faz realmente? Mas antes que se desespere, acalme-se. Pois sim, há uma saída. Você pode resolver seguir o caminho contrário. Cobrar das pessoas aquilo que elas realmente querem, cobrar aquilo que realmente é importante. Não se importar com as cobranças alheias. Esforçar-se, ser o melhor naquilo que faz, e tentar ser o melhor que puder sempre. Assim você escapa do círculo do ódio, certo?
ERRADO. Você não escapa. Você apenas vai contra ele. Você apenas acredita em seus sonhos e tenta reavivar o dos outros. As vezes consegue, geralmente não. Mas você não sai dele. Você luta contra ele. E para isso, deve estar totalmente dentro dele. Sim, meus caros... não há saída. Mas relaxe, isso tudo tem nome: sociedade. Bem vindo ao mundo da hipocrisia, cobranças e desilusões. E acredite, caso resolva seguir o caminho contrário, bem vindo. Você estará fazendo algo nobre, grandioso. Mas não espere recompensa. Não espere um sentimento bom que te dará forças. Apenas sorria puramente enquanto puder...
Pois a vida não será nem um pouco boa com você. *apaga cigarro, coloca Suede - Trash dá um sorriso amargo e com olhar vazio vai andar pela garoa que cai. Pois a melancolia nunca vai embora...*
Maybe it's my kookiness...
Such a Lovely day, huh?
Reminiscências de um andarilho em sua passagem pelo mundo mortal e humano. As histórias de suas desilusões, seus devaneios perdidos, sonhos e pesadelos, horror, loucura, luxúria, cinismo, sarcasmo, entre outros defeitos. Em si, um vislumbre da escuridão onde a luz brilha em esplendor.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
:: Sexta-feira, Outubro 15, 2004 ::
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