terça-feira, 27 de setembro de 2011

Publicado originalmente em: Sábado, Março 15, 2003 ::
*acende cigarro* Argh... estou acabando com os últimos cigarros que sobraram de hoje... espero que eles ainda durem até as 5 da manhã... dai provavelmente irei comprar mais. Mas isso não importa. O fato em si, é o quanto revoltante é ir em uma vernisage (para os que não sabem, é a abertura de uma exposição com comes e bebes a vontade, e sim, eu subestimo as pessoas que vem aqui ler isso, com a excessão de velhos amigos...). O Museu Lasar Segall, (não, não há parentesco com o Steven Segall...) é um ambiente interessante, com uma boa área para exposições... um ambiente bom com um acervo excelente. Mas há um problema. Sempre há em todas as vernisages. Me pergunto o quão puto da vida o Lasar, um excelente modernista, que lutou pela popularização da arte nesse país podre, deve ficar ao ver que seu filho, não, não o mais velho e sim o caçula, tornou sua obra mercadoria de luxo para a elite. Imagine: além de ser um fracasso como diretor e idealizador de um museu que vai contra todos os princípios de seu pai, ainda resolve fazer um discurso totalmente descartável.
Me pergunto o por quê. Por que a arte no Brasil tem que ser tratada dessa forma? Apesar de toda a luta que ocorreu desde a Semana de 22, ela se tornou cada vez mais elitizada, até o ponto de que as próprias Bienais se tornaram patéticas... Na última Bienal que fui, no ano passado, muitos trabalhos ruins, principalmente dos brasileiros. Fui duramente criticado por muitos quando falo que a arte e o cinema nesse país é praticamente nula. Ao menos a arte atual, pois entre um passado com excelente artistas, hoje somos representados na Bienal por um bando de filhinhos de papai que conseguiram serem "indicados" (leia-se compraram) para participarem. O cinema, esse não posso falar. Oitenta por cento da nossa produção é lixo. Quer discutir? A maior parte do nosso acervo constituí de pornochanchadas e filmes dos reis do ie-ie-ie... Sim, nossa produção artística é ruim nbo cinema. Claro há exceções... Lavoura Arcáica é um excelente filme. Cidade de Deus também, apesar de que a fotografia poderia ser melhor explorada. Entre outros... porém, não se pode louvar só porque é nacional. Afinal, Central do Brasil não ganhou o Oscar por um único motivo: A atuação de Fernanda Montenegro é a única coisa que se salva num roteiro fraco, porcamente explorado, com uma fotografia mal conduzida, e um excessivo apelo sentimentáloide. Sim, temos bons filmes! Mas façam o favor de analizá-los de maneira crítica! Pois não se melhora um país lambendo o cu de qualquer merda que sai. Nossos filmes são bons, mas sim! Podemos criticá-los... sem ter que aturar pessoas idiotas te julgando. *apaga cigarro e acende outro*
Outra coisa que tem me irritado muito são as pessoas que se tornam sensíveis em excesso. Afinal, ser uma pessoa sensível é uma coisa, outra coisa é ser insuportávelmente sensível 24 horas por dia! Dane-se que alguém joga uma garrafa pela janela do carro! Se essa pessoa não tem consciencia de que isso pode fuder a vida de alguém, paciência! Agora ficar chocada? Ora, faça me o favor! Certas pessoas deviam aprender a ter um botão de liga/desliga no cérebro para ser ou não sensível. Pois se você quer ser assim, meus pêsames, o mundo irá te engolfar, destruir e jogar fora. Destrua um pouco! Diga dane-se mais vezes, mande alguém a merda diariamente! Afinal de contas, não adianta se isolar numa bolha de sensibilidade, pois caso o faça, você também se isola do mundo em que vive. E que espécie de artsta se isola? *continua fumando e ouvindo "Play Dead" da divina Björk enquanto toma um bom gole de vinho...*

See ya in the desert skies

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