*acende cigarro ouvindo "Disapear" - INXS* Hoje meu dia ficou mais escuro. Se alguém lê meu flog, acalme-se. Não vou repetir o que escrevi lá. É que simplesmente resolvi por o que sinto para fora.
Perdi algo de muito puro hoje. O "algo" que me fazia querer continuar vivo. E sei que não voltará. Não mais. Há muito tempo vivo apenas vagando pelo mundo. Quem me conhece sabe do que falo. Vago sem destino, sem ambições, sem muitos desejos. Vago a muito tempo sem ter nada. Amigos? Sim. Amados, queridos. Morreria e mataria por cada um deles. Família? Sim. Talvez não tão convencional. Mas tão ou mais queridos e amados que os amigos. Inteligência, charme, etc? Sim. Muitos me vêem como uma pessoa a ser seguida como exemplo. Inimigos? Sim. Ninguém consegue ser uma pessoa real sem eles. Posso não conhecê-los, ou identificá-los na rua. Mas sei que lá estão eles. Defeitos? Sim. Muitos. Mais defeitos do que se é possível imaginar. Baixa auto-estima, cobro muito das pessoas ao meu redor, sou um pouco auto-destrutivo, me sinto incapaz de muitas coisas, cabeça-quente, estourado, etc. E um dos piores. Raramente me abro para meus amigos e família. Por que? Pois não quero preocupá-los. Não quero feri-los. Na verdade, não quero que vejam que às vezes posso ser mais fraco e frágil do que todos eles pensam. Pois sou humano. Talvez mais do que deveria. Mulheres? Muitas. Filhas, amantes, namoradas, esposa, casos, affairs, exs... Como disse, sou humano. E talvez mais do que deveria. Homens? Alguns. Poucos, mas marcantes. Sou apenas um homem, que dedicou sua vida a vagar. Um andarilho. Tentando ajudar alguns, lutando para salvar outros. Raramente causando mal. Mas quando o faz, o faz de maneiras inconcebíveis. Apenas um homem. Mortal.
Como todos sabem, andarilhos sempre o fazem por algo. Seja por estarem fugindo de algo, ou buscando algo. A maioria são fugitivos. Seja por terem cometido erros imperdoáveis, ou por não suportarem encarar as pessoas que conhecia, ou por não quererem encarar suas vidas. Bem... infelizmente, não é o meu caso. Nunca o foi. Sempre encarei tudo de frente, dos medos, aos problemas. Sempre fui sincero. Sempre paguei por meus erros. E sempre o fiz de cabeça erguida. Talvez seja por isso que me admiram. Se é que o fazem. Se é que vão continuar fazendo. Se é que mereço. O que me faz ser um andarilho, é que há muito tempo, não sinto algo real. Na verdade, às vezes parece-me que a única coisa real que senti, foi a tanto tempo que nem saberia dizer precisamente a quanto tempo foi. Por isso me atiro de cabeça na vida. No amor. Nas amizades. Na família. Em tudo. Pois quero, preciso sentir algo real. Desesperadamente. O encontro muitas vezes. Mas o que eu exatamente eu anseio tanto por, esse quase nunca o encontro. Na verdade a algum tempo poderia dizer que jamais o havia encontrado. Mas eu o encontrei. Após tantos anos em busca dele, finalmente o encontrei.
Sempre me senti só. No coração. Nunca encontrei alguém como eu. Com um coração plenamente livre, inteiro, porém vazio e solitário. Não há como explicar esse sentimento de solidão. É uma das grandes dores que tenho, sendo um pretenso-escritor, não conseguir explicar algo em palavras. Mas é como se vivesse em uma bolha. Apesar de todas as pessoas ao seu redor, nenhuma delas consegue romper essa barreira e ver o seu real eu. E após tantos anos, encontrei alguém que rompeu essa barreira. Como se fosse luz. Rompeu as trevas solitárias que há anos, décadas, sinto. Essa luz me envolveu. Trouxe uma pureza a muito perdida. Uma pureza que jamais imaginei ter de volta... que jamais imaginei possuir. Algo tão puro que me fez crer que havia redenção para mim. Que poderia ser salvo. Mas esqueci duas coisas escênciais: para se ser salvo, precisa-se querer. E que nada é para sempre. Lutei. Mais ferozmente do que jamais o fiz. Mais audacioso, destemido, sem pensar em consequências do que até mesmo me imaginei capaz. Fui mais sábio, mais paciente, mais ponderado, mais calmo do que julgavam ser capaz. Do que EU me julgava capaz. Como sempre em minha vida, fui até o limite. E como sempre, tentei rompê-lo...e perdi. Não por ela. Mas não que ela seja completamente inocente. Não por mim. Nunca fui inocente. Mas pelo simples fato de que tudo no universo existe a base da entropia. E como sempre, perdi. Perdi a pureza que acreditei nunca mais perder. Perdi a luz que imaginei que fosse ser eterna em minha vida. E por assim dizer, perdi tudo.
Perdi tudo, pois tudo pelo qual vaguei, lutei, passei, foi perdido. Perdido. Como em um passe de mágica, tudo escorreu por minhas mãos, como se feito de areia. E mais uma vez, estou aqui. Sem nada. Só.
Mas dessa vez, há uma diferença. Poderia ser salvo ainda? Sim. Poderia voltar a vagar pelo mundo? Sim. Mas não o quero mais.
Pela primeira vez em minha vida, me sinto derrotado. Plenamente derrotado. Mas ao mesmo tempo, há uma parte de mim que diz que isso é mentira. Pois apesar de tudo, mesmo que seja por um momento, eu o tive. Foi real. E nas palavras de Tyler Durden, "A moment was the most you could ever expect from perfection." E por um momento, que será eternamente meu, tudo foi perfeito. Tudo foi real. E eu mesmo me senti real.
E isso, meus caros, é mais do que muitos conseguem ter em toda uma vida. E ao menos disso, posso me orgulhar.
*apaga cigarro, começa a chorar. Para. Respira fundo. Pensa em cantar "I still haven´t found what I´m looking for" do U2, mas pensa bem, e começa a cantar "Lemon".*
Maybe it's my kookiness...
Such a lovely day, huh?
Reminiscências de um andarilho em sua passagem pelo mundo mortal e humano. As histórias de suas desilusões, seus devaneios perdidos, sonhos e pesadelos, horror, loucura, luxúria, cinismo, sarcasmo, entre outros defeitos. Em si, um vislumbre da escuridão onde a luz brilha em esplendor.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
:: Domingo, Dezembro 12, 2004 ::
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