terça-feira, 27 de setembro de 2011

:: Quinta-feira, Julho 31, 2003 ::
*acende cigarro* Sabem de uma coisa? EU ODEIO COMPUTADORES! E dizem que eles revolucionaram o mundo. É verdade. Eles contribuem para o mundo de uma delicada maneira... irritando mortalmente seus usuários.Tsc. Dane-se isso. Estou cada vez oscilando mais entre bom e péssimo humor. Mas ainda tenho um mínimo de paciência para vir aqui escrever um pouco... para quem tem saco de vir ler isso aqui.
Primeiramente, é... eu sei. A atualização beira o mensal, mas com a vida conturbada que levo, mais dois projetos grandes consomem meu tempo em frente ao computador. Se antes era um livro, agora são dois. Nada que colocarei aqui. Afinal aqui é minha "area de pensamento livre". Aqui não me preocupo muito com a editoração e revisão dos textos. Apenas falo o que quero, e nada mais. Às vezes sou agraciado por boas críticas, e normalmente pelos retardados anônimos de sempre. Mas pretendo tentar mantê-lo recheado com os textos banais que aqui posto. E agora, bem vamos ao que interessa.
Estive lendo... muito para dizer a verdade. E cada vez mais me enojo com os patriotas de plantão. Tudo bem, temos bons escritores? Sim, temos. Mas pouquíssimos conseguem se comparar aos gênios universais. Apesar de tudo o que se fala da literatura brasileira, ela se centrou, e se fecha cada vez mais, em seu próprio ser. Temos um país lindo? Sim. Mas sinceramente só por isso ficar louvando a terra, fazendo uma literatura de cunho totalmente regional, para não dizer turística, passa longe do que considero obras de interesse. Poucos são os escritores brasileiros que conseguem fazer obras universais. Sempre se fecham no mundinho brasileiro e ainda orgulham-se disso! Particularmente gosto das obras que lançam aquele ar de "em qualquer lugar isso pode ter se passado". Ou de obras que realmente mostram a natureza humana. Saramago, Rubens Fonseca, Italo Calvino, Kafka, apenas para citar alguns conseguem fazê-lo de maneira divina. Sobrepujam as barreiras culturais, avançam ávidamente na raiz de todos os males, o ser humano.
Reconheço que espero um dia poder ser incluso entre eles, e sinceramente desprezo um lugar na Academia Brasileira de Letras. Recuso-me a pertencer a um lugar que Paulo Coelho foi aceito. Como um homem, feito de ghost writerspode ocupar um lugar dentro dela? O velho Machado ou deve estar rolando de ódio em seu túmulo, ou rolando de rir ao ver o cinismo da coisa. Afinal, seria uma história bem ao gosto dele. Ver seu sonho de um grupo de intelectuais empenhados em mudar o modo de pensar de um país, ser transformado em um bando de velhos, fedendo a hospital e poeira. E pensar que ainda mantém o mesmo ideal! De uma ironia louvável!
E reclamo dos patriotas, pois nunca me esquecerei de certas pessoas falando que o nível cultural do Brasil está subindo! Só se for para uma minoria. Muitos não tem nem dinheiro para comprar um livro, ir ao cinema, e o nível cultural está crescendo! Acredito piamente que só iremos começar a ter um avanço real em nossa cultura quando nossos intelectuais perderem TOTALMENTE seu patriotismo. Tudo bem, eu amo São Paulo, mas reconheço toda a sujeira e podridão dela. Não sou um patriota cego e fervoroso. Incrivel como o americanismo está nos contaminando... até começamos a ver sua cegueira patriota ente nós. É, estou me tornando um cínico, niilista, ou o que quer que me chamem. Começo a perder as esperanças de um mundo melhor. Afinal, como se pode esperar algo de bom quando se conhece tão bem a podridão humana?
E sinceramente... ouçam Nick Cave. Não direi que faz bem a alma. Mas me dá uma sensação de conforto, ouvir aquela voz rouca e forte contocendo-se para cantar a beleza da dor... *apaga cigarro, e volta a ler Satre, enquanto ouve "The weeping song" do velho Cave*

See ya in the desert skies

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