*acende cigarro* Pois é... faz um mês que não escrevo aqui. Falta de tempo pra tudo. Às pessoas que acham que quem faz artes plásticas é vagabundo não faz idéia do que é ter que fazer um trabalho artistico de qualidade. Mas isso não importa. Nada importa. Entrando em conflito com minhas próprias palavras, irei falar sobre minha vida. Dessa vez. Talvez nunca mais. Portanto ouçam bem.
Houve um tempo em que os góticos não eram a ralé medrosa que são hoje em dia. Houve um grupo/gangue (dane-se como quiser chamar) conhecido porCorvos da Tempestade. Nós mão corriamos de skins... corríamos atrás deles. Foi um tempo de glória e alegrias. Um tempo de fartura. Nesse tempo remoto na minha memória, havia uma pessoa que morreu. Meu "pai, Tchello. Quando morreu, muitos não aguentaram e se mataram. Poucos de nós saímos inteiros da perda. Não fui um deles. Na verdade não houve ninguém que saiu inteiro daquele enterro. Um dos que viveram e se perderam na vida foi o Mac. Se tornou alcóolatra. Conseguimos tirá-lo antes que o vício o destruísse. Mas seu sangueromani era teimoso e arrogante demais. Foram pra Campinas. Formou-se em Engenharia Agrícola. Mudou-se de Sampa para o interior. Havia se cansado da correria da cidade. Mas como se diz: se morre como se vive. E assim o foi. Mulherengo, beberrão, arrogante. Uma mulher foi a perda dele. Morreu. Ninguém soube o por que. A última reunião dos Corvos esclareceu... reviramos a cidade, falamos com policíais corruptos e descobrimos.
Ele estava "apaixonado" por uma garota, filha de um cara importante. Ele não gostou da idéia. Ameaçou-o de morte. Ao costume cigano, riu e cuspiu no chão. Mas o figurão riria por último. Em um bar ridículo, no meio de uma cidade patética, Mac tomava uma cerveja. O pau-mandado chegou. Falou com ele, e puxou o revólver. Mac, como todos que viveram os tempos gloriósos conosco, sabia se virar numa briga. O outro hesitou. Tempo de ser desarmado e espancado. Em sua arrogância, voltou e terminou sua última cerceja. Levou dois tiros, nenhum instantâneamente fatal. Reagiu, tomou a arma, e matou-o com um tiro na cabeça. Tentou pedir ajuda, mas morreu no meio do caminho até a saída do bar. O dinheiro do mandante calou a investigação e arquivou-a. É... sempre me disseram que iríamos gastar toda nossa sorte na nossa juventude. *apaga cigarro, acende outro*
O velório foi triste. Caixão fechado, devido a demora da PM devolver o corpo. No enterro, me empurraram para fazer o discurso. É... nunca devia falar que sou escritor. O discurso começou com: "Todos aqui sabemos que o Mac era um tremendo filho da puta... " Por fim disse a última frase: "É... como diziam, gastamos nossa sorte na juventude.". Riram muito no discurso. Bom. Ao menos a dor da perda sumiu um pouco por um tempo. Mas como bons ciganos, tudo, mas tudo mesmo, é motivo de festa. Até os mortos. Fazia tempo que não comia carneiro à romani... nem me embebedava ao som de violinos. Por fim, coloquei os ourtos no avião. Se foram, e acho que jamais os verei de novo.
Sou o último Corvo da tempestade. Como o velho Tchello falava que iria ser. E como meu irmão disse, "... e tu esperava menos? Na verdade não... já presentia isso. Mas c´est la vie. Honro o nome, e o título. Ao menos sei que eles estão melhor do que eu. Seja lá em qual reino dos deuses eles estejam. Um dia nos veremos de novo...*apaga cigarro e descasca uma mexerica, de maneira que pareça uma flor*
Ah, e aproveitem suas vidas... nunca se sabe quando ela pode acabar. *smile and fade in the empty streets*
See ya in the desert skies
Life is just a dream
Reminiscências de um andarilho em sua passagem pelo mundo mortal e humano. As histórias de suas desilusões, seus devaneios perdidos, sonhos e pesadelos, horror, loucura, luxúria, cinismo, sarcasmo, entre outros defeitos. Em si, um vislumbre da escuridão onde a luz brilha em esplendor.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
:: Segunda-feira, Junho 09, 2003 ::
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